quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A HISTORIA DE ANDREW EM SUA TRAJETÓRIA GAY


Aos olhos de seus pais, Jeff e Lori, foi tudo um pouco estranho.
Este era o rapaz que disse a eles ser gay aos 16 anos depois de ser confrontado com as contas altíssimas de salas de chat da Internet. Que lutou pelo direitos gays no Ensino Médio e escapou dos punhos dos jogadores de futebol americano quando os jogadores de hockey vieram em seu socorro. Que teve a coragem de vestir rosa e verde mesmo depois que seu carro foi pichado com “Vá para casa viado!
Tudo que seus pais queriam era que Andrew fosse ele mesmo. Aos 29 anos, ele sentou com os pais na mesa da cozinha e disse-lhes que estava sentindo falta de companheirismo e fraternidade em sua vida. “Vou entrar para o Exército”, disse.
As novidades os surpreenderam. Por que Andrew entraria para a vida militar na qual ele seria forçado a negar uma parte de quem ele é? Ele era um amente de música clássica, compositor, ativista pela paz, um gênio na matemática. Ele estudava palíndromos, mapas, padrões, a Constituição dos EUA, física quântica.
Um soldado? Isso nunca passou pela cabeça dos pais “esquerdistas” de Andrew. No entanto, assim como haviam feito com todos os seus três filhos, eles o apoiaram. Não foi fácil. Tornou-se terrivelmente doloroso. Quando o filho deles acabou sendo enviado para o Afeganistão, em julho de 2010, Jeff acordava cedo todos os dias para procurar pela cidade de Kandahar no Google. Ele rastreava cada soldado que havia morrido naquela terra distante.
Então, em 27 de fevereiro de 2011, na mesma mesa de carvalho em que Andrew disse que estava se juntando ao Exército, os Wilfahrts souberam que seu filho mais velho havia morrido. ”Eu quero falar diretamente com alguém do pelotão dele!”, Jeff disse ao oficial e ao capelão sentados à frente dele. Ele queria saber com certeza que aquela não havia sido uma morte “por trás dos panos” de um rapaz gay.
O Cabo Andrew Charles Wilfahrt, 31 anos, parece ser o primeiro soldado gay norte-americano a morrer em combate desde que o Presidente Obama assinou a anulação da política “Não pergunte, não fale“, que forçava os gays no serviço militar a esconder esta parte de suas vidas sob pena de serem expulsos. Ele também estava entre os mais inteligentes dentre a força composta por meio milhão de homens, atingindo uma pontuação perfeita em seu teste de aptidão, uma façanha que o Exército afirma ser rara.
Andrew era tão bem quisto que seus companheiros nomearam um posto avançado de combate (COP) com o nome do colega de sorriso contagiante. COP Wilfahrt fica a seis quilômetros de Kandahar. Para seus colegas, o nome do posto não é de um soldado gay, mas sim de um que lutou com bravura.
“Mãe, todos sabem. Ninguém dá bola”, ele disse à sua mãe na última conversa que tiveram, num telefonema do Afeganistão no Dia de Ação de Graças. Numa biografia que deixou no laptop, Andrew descreve-se como alguém que “envolveu-se com o solipsismo casual”, a ideia de que, em última instância, uma pessoa só pode conhecer a si própria e nada mais. ”Embora próximo a meus pais pais e irmãos, eu geralmente prefiro a solidão e a introspecção, e tenho poucos amigos íntimos”, escreveu.
Andrew nunca negou sua homossexualidade. Mas como tantos, ele teve que lutar com a realidade de ser gay nos EUA. Ainda que fosse apenas uma parte dele. Ele era muito mais. Nos apontamentos em seu laptop, ele nunca usou as palavras gay ou homossexual para se autodefinir. Sua irmã mais nova, Martha, diz que isso era a questão menos interessante sobre ele. Mas com sua morte, seus pais tomaram parte na causa dos direitos gays. Andrew lutou por seu país num território estrangeiro. A luta de seus pais está sendo travada em sua terra natal, no estado de Minnesota. Para eles, diz respeito à defesa da Constituição – protegendo os direitos de todos os cidadãos.
FONTE:QUEER AND POLITCS E BULE VOADOR

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